Warshipper
Confiram a nossa entrevista e apoiem o nosso Underground. Demais detalhes também podem ser obtidos no Facebook oficial do grupo.
Apreciem, divulguem e prestigiem!
A banda começou em 2011, correto? Como foi o início de tudo e de onde veio o nome do grupo?
Renan: Saudações a toda a equipe do VIOLENT NOISE e seus seguidores. Espero que estejam todos bem! Excelente poder falar sobre o WARSHIPPER para vocês.
O grupo iniciou suas atividades em 2011, quando eu ainda tocava também em outra banda chamada BYWAR, e resolvi montar um então “projeto” com meus amigos de longa data, Roger, Rafael e Rodolfo (ex-ZOLTAR). Não demorou muito para deixar de ser um projeto para se tornar nosso trabalho principal.
Sobre o nome da banda, é basicamente a junção das palavras “worshipper” (adorador) com “war” (guerra). A inspiração para isso teve duas vertentes: A primeira foi a leitura desse comportamento funesto e a relação da humanidade para com o conceito sádico de guerra. Desde sempre, até hoje, as guerras são uma constante em nosso funcionamento como civilização e sociedades. A segunda é a guerra psicológica constante que travamos internamente para que possamos nos manter parte formadora da sociedade como um todo, que é traumática por si só.
O que geralmente vocês escutam e quais as principais influências musicais?
Renan: Poutz!!! Bem difícil garantir uma resposta objetiva para esta pergunta, pois escutamos uma gama imensa de diferentes musicalidades, não somente dentro do Rock, mas também de outros gêneros. Para simplificar, vou comentar sobre algumas bandas que são influência para todos nós em comum e também algumas outras particularidades individuais.
Algumas das bandas que mais nos inspiraram foram HYPOCRISY, DISSECTION, MALEVOLENT CREATION, TESTAMENT, NEVERMORE e DEATH, dentre inúmeras outras que gostamos em comum. É impossível não citar também que todos nós 4 somos fanáticos por BLACK SABBATH, METALLICA, IRON MAIDEN e PINK FLOYD. Eu sou muito fã das bandas de Rock e Prog-Rock anos 70, mas também gosto bastante da mistura do Rock/Metal com música eletrônica. Desde as bandas mais voltadas ao Metal Industrial, até coisas como ULVER e DAFT PUNK, passeando também por músicas mais “viajadas” como DEAD CAN DANCE, que eu adoro.
O Roger ouve bastante coisa nessa linha que citei acima também, mas acho muito interessante que ele ouve bastante coisa mais voltada para Blues e Jazz. O Rafael se interessa também por tocar teclado e explora musicalidades que utilizam deste recurso, e acho legal que ele está sempre bastante antenado em bandas mais novas que surgem de Metal, além de algumas “pirações” como BETWEEN THE BURIED AND ME. O Rodolfo, junto comigo, é quem traz a veia mais Death Metal Old School nas composições, mas varia bastante sua musicalidade e têm buscado muitas músicas com “Groovin”, como soul e funk, para explorar em suas composições. Ele pira também em músicas de vídeo game dos anos 80/90, que tem bastante baixo nas composições.
Em resumo, possuímos um gosto musical bastante diversificado.
Como está a formação atual do Warshipper? Houve muitas mudanças?
Renan: Nós quatro estamos juntos desde o início, porém, chegamos a ter dois vocalistas na banda, em momentos diferentes. O primeiro foi um amigo nosso, Juliano King (Lecher), que saiu da banda durante o início das gravações de nosso primeiro álbum, “Worshippers of Doom”. Devido a sua saída, eu assumi os vocais nas gravações, na época, mas sem a intenção de continuar como frontman. Com o álbum lançado, precisávamos de um vocalista para começarmos as apresentações para divulgar o trabalho, foi quando Heverton Souza (IMPERIUM INFERNALE, ZOMBEERS, DISTORT) se juntou a nós. Após algum tempo e várias apresentações excelentes com o Heverton, a logística para ensaios se tornou complicada devido ao fato de nós quatro morarmos no interior e ele na capital, então decidi assumir os vocais em definitivo com algumas faixas sendo cantadas também pelo Rodolfo.
Portanto, todos os nossos álbuns foram gravados por nós quatro, somente.
Recentemente vocês lançaram “Barren...”, o terceiro Full. Como aconteceu este lançamento e qual o impacto dele na carreira de vocês?
Renan: Apesar do momento atual e a impossibilidade de realizarmos apresentações, estávamos com o álbum finalizado desde abril, portanto, em conjunto com nossa produtora Som do Darma, decidimos reavaliar a estratégia e lançar o trabalho mesmo assim. Possuíamos também vídeo clipes e outros materiais audiovisuais prontos, por isso decidimos que talvez pudesse ser positivo movimentarmos este material todo mesmo diante da pandemia.
O “Barren...” veio para consolidar nosso nome no underground do nosso país.
Tudo o que lançamos até aqui foi muito importante para nossa carreira, mas vejo este terceiro álbum como nosso trabalho mais forte e completo e estamos bastante convictos de que conseguiremos colher bons frutos como resultado de todo nosso empenho e dedicação.
Temos tido excelentes feedbacks e isso reforça a ideia de que valeu a pena toda nossa entrega e trabalho.
Como vocês hoje enxergam o cenário underground no Brasil? O que pode ser feito ou melhorado?
Renan: É bastante comum vermos pessoas trazendo apenas
os aspectos negativos quando falamos sobre o Underground no Brasil. Mas eu
entendo que há muita coisa muito positiva além dos pontos a serem melhorados. Existe
uma quantidade enorme de bandas com muita qualidade, desde bandas que existem
há décadas, como também bandas mais recentes, cada vez com um nível maior de
profissionalismo em sua musicalidade ou mesmo postura.
E vou além! Temos produção de eventos com
maior nível de profissionalismo, pessoal técnico mais preparado, fotógrafos
profissionais, dentre inúmeros outros integrantes e formadores do Underground,
que elevam o nível. Apesar disso, é fato que possuímos um déficit relativo a
público.
Para nós que tivemos a oportunidade de
viver o Underground 20/25 anos atrás, é fácil lembrar que os eventos possuíam
um público massivamente maior. Mas eu acho que o problema vai além do “querer
ir” ou “não” a um evento. Há alguns pontos a serem observados para que possamos
pensar em como mudar isso para melhor. Os recursos de web para acesso a música,
vídeos e shows são uma realidade. Qualquer saudosismo vai ser puramente
passional, mas nem um pouco efetivo no sentido de promover mudança. Temos que
utilizar isso como um recurso a mais para atrair a galera para os eventos
presenciais.
Além deste ponto,
precisamos entender que nem sempre o nosso meio é acolhedor o suficiente para
que o público seja renovado. E é exatamente isso que é necessário. Renovar o
público.
O Rock/Metal como um todo não faz mais
parte significativa da cultura pop, como aconteceu nas décadas de 80, 90 e
começo dos anos 2000. Por mais que sejamos parte de um Underground, a cultura
Rock/Metal era muito mais forte. Um grande exemplo disso era a MTV. O que quero dizer com isso? Que para um
jovem ou adolescente, cheio de vontade de pertencer a algo, cheio de energia
para bater de frente com aspectos sociais que o reprime ou oprime,
desenvolvendo sua personalidade, a televisão e rádios propiciavam um primeiro
contato com este estilo musical e todas suas sub-vertentes que é (ou ao menos
deveria ser) subversivo por si só.
Porém, este fator
que era determinante deixou de existir e, infelizmente no nosso Underground, poucos
elementos ainda são interessantes para o público mais novo. Aí a equação se
torna simples: Se não renova, não desenvolve. E isso tudo afeta diretamente o
público dos eventos e, então, a todos nós. O que podemos fazer para tornar o
Underground significativamente atraente para a “molecada”, para que possamos
sempre oxigenar e fortalecer nosso Underground?
Acho que este é o ponto a se pensar a
respeito.
Quais os planos futuros?
Renan: Bom, primeiramente acompanhar os próximos
capítulos do contexto pandêmico no qual estamos introduzidos. Até mesmo para
pensarmos em turnê para divulgar o “Barren...”.
Fora isso, estamos finalizando nosso novo
estúdio, onde poderemos nos preparar para a retomada que esperamos ser em
breve, mas também iniciar novas composições, pois diante desta adversidade toda
estamos todos bastante inspirados para compor.
Mas a nossa meta principal é levar nossa
música para o máximo de lugares possível do nosso país. Norte e Nordeste em
especial, onde tenho muitos amigos e sempre considerei fantástico tocar, desde
a época de minha banda anterior. Mas todos os estados, se possível.
Vocês lançaram um vídeo da música “Respect!” que conta com a participação da Fernanda Lira (Crypta) nos vocais. Como foi esse lançamento e como chegaram ao nome da Fernanda como convidada?
Renan: A letra desta composição aborda a questão
relativa à equalização de direitos entre gêneros. O que é algo que defendemos. Por
se tratar de um assunto delicado e sobre o qual nós, como homens, não temos
total propriedade quanto à compreensão dos problemas inerentes a isso, sugeri
termos a participação de alguma artista mulher para dar voz a este tema.
Foi então que o Roger sugeriu a
participação da Fernanda, que aceitou de pronto o projeto.
Foi uma experiência muito foda, pois ela
é uma excelente profissional e artista.
Sua participação agregou muito ao nosso
trabalho.
Estamos encerrando nossa breve conversa. Mandem um recado aos fãs do Metal Extremo e aos fãs do Warshipper.
Renan: Foi muito legal bater este papo com vocês.
Este tipo de trabalho é uma das inúmeras facetas do nosso Underground. Somos todos amantes do Rock e do Metal e juntos, unidos, podemos remover inúmeros obstáculos que temos. Vamos sempre valorizar o trabalho do próximo, sem rivalidades, sem depreciação.
Ao invés de pensarmos em qual banda não
gostamos, vamos enfatizar as que gostamos e respeitar as diferenças. A partir
do momento que alguém se predispõe a compor, ensaiar, gravar, resenhar,
fotografar, produzir, ou mesmo ir a um evento para valorizar a cena, tudo tem o
seu valor. Nada é mais ou menor que nada. Vamos valorizar (mais uma vez) uns
aos outros, apoiar e acolher.
Together We
Stand... Divided we Fall!!!
Mais Informações:
Fotos: Fred Guerrero
Comentários
Muito obrigado pelo apoio né espaço.
Grande abraço
Roveran