Cerebral Invasion

 

O ano praticamente nem começou e já estamos com uma entrevista nova em ação. E desta vez é uma banda gringa que nos presenteia. Falamos com o Mahmood, vocalista do grupo CEREBRAL INVASION, quinteto que faz um Thrash Metal cheio de violência, muita fúria e com uma pegada dos anos 80. Nesta breve conversa, o vocalista nos contou um pouco sobre a origem do grupo, a repercussão do primeiro EP, o movimento do Metal na Alemanha e seus sentimentos em relação ao mundo.

Confiram como foi a nossa conversa e apoiem o Underground. Demais detalhes também podem ser obtidos no Facebook oficial da banda.

Apreciem, divulguem e prestigiem!

Como começou a banda e qual a formação atual?

Mahmood: Somos uma banda de Thrash Metal da área de Ruhrpott na Alemanha e começamos em outubro de 2019. O grupo é composto por 5 músicos, meu nome é Mahmood e sou responsável pelos vocais e também escrevo as letras. Stefan e Dominik são nossos guitarristas e eles escrevem as músicas. Na bateria temos o Kilian e o nosso baixista é o Oli.

Eu fundei a banda como forma de expressar a minha raiva e frustração com este mundo fudido, eu passei por muita coisa na minha vida que me levou a ver o mundo de uma forma muito negativa. Eu quase cheguei a um ponto de não ter nenhuma satisfação e precisava encontrar uma forma de liberar toda essa raiva que se instalou dentro de mim. Foi aí que eu comecei a escrever todos esses pensamentos deprimentes e isso foi o último recurso para lidar com a situação e resultou na criação da banda. Foi um grito raivoso amaldiçoando este mundo fudido.

Conheço Stefan há anos e eu tinha a ideia de formar a banda há muito tempo, mas o momento nunca foi propício. Em 2019 eu encontrei o Simon (nosso ex-baixista) em um festival, e nós compartilhamos a mesma paixão sobre a música e tínhamos uma visão semelhante sobre o mundo. Então ele se ofereceu para ser o baixista e trouxe o Freddy (nosso ex-baterista) com ele. A partir daí eu encontrei o Dominik, que era um amigo de Stefan e eu o conheci quando ele ainda tocava em seu outro grupo. Eu sempre admirei sua música e aí eu decidi que ele faria parte da banda antes mesmo de eu falar com ele sobre o assunto. Ele acabou concordando.

Depois que terminamos de trabalhar com nosso EP, Simon e Freddy decidiram deixar a banda para se concentrar em seus outros projetos. Oli e Kilian, os dois novos membros, compartilham agora a mesma paixão que temos pela música e também a visão pelo mundo.

De onde vem a inspiração para o nome?

Mahmood: Eu queria ter um nome que representasse o que nós somos, a ideologia da banda e a mensagem que queremos enviar. Queremos compartilhar a imagem que temos deste mundo cruel e tentar alcançar as pessoas de qualquer forma possível, mesmo se tivermos que esmagar seus crânios para alcançar seus cérebros. É uma invasão da mente. Esta é nossa maneira de ver o mundo e representar a nossa realidade, e eu não estou esperando que todos concordem conosco, pois cada pessoa tem sua própria forma de enxergar o mundo, dependendo de suas crenças e experiências. Nossa música representa nossa verdade.

Quais as principais influências musicais?

Mahmood: Nós somos definitivamente influenciados pelas bandas de Thrash Metal do Bay Area. Grupos como MEGADETH, METALLICA, EXODUS, TESTAMENT, DEATH ANGEL influenciam nossa sonoridade. Para mim, pessoalmente, MEGADETH, SEPULTURA e SLAYER também influenciam minhas letras. A visão crítica que o MEGADETH tem deste mundo, o espírito de rebelião do SEPULTURA e o ódio e raiva do SLAYER são, definitivamente, elementos que eu me identifico muito e estou retratando em minhas letras. Nós amamos essas bandas e esperamos atingir o nível delas em breve.

Comente sobre o processo de criação das letras e composições.

Mahmood: Todas as minhas letras são a voz da crítica e da raiva para este mundo louco. É definitivamente uma autobiografia mostrando meus pensamentos, lutas e fúria. Eu quero compartilhar minha visão deste mundo em diferentes aspectos, então eu escrevi sobre meu ódio e frustração, sobre como eu vejo este mundo e as pessoas nele, o que eu penso da sociedade e como as pessoas são controladas e manipuladas. Eu expresso meu desejo de vingança contra aqueles que roubam nossa liberdade. As letras podem ser obscuras e os títulos podem ser pesados, mas esta foi a minha intenção. Somos uma banda Thrash e queremos jogar a nossa raiva nas pessoas através de nossa música.

Eu tenho a ideia principal de como as músicas devem soar dependendo das letras que eu escrevo. Desta forma, Stefan e Dominik transformam estas ideias em música. Na verdade, 3 músicas do EP tinham sido escritas na sala de ensaio com a gente apenas tocando juntos e com um objetivo final em mente. “Brainwashed into Madness” foi a única música que Stefan e Dominik escreveram sozinhos e me enviaram. Daí eu acrescentei a letra.

Vocês lançaram o primeiro EP em 2020. Qual foi a repercussão para a banda?

Mahmood: As reações e o apoio que temos obtido até agora são inacreditáveis. É uma grande sensação ver o resultado do seu trabalho sendo apreciado. Muita gente está frustrada com o andamento das coisas na sociedade. Essas pessoas foram capazes de se relacionar com a nossa raiva e a forma como vemos este mundo de merda. Nos dedicamos muito ao elaborar este trabalho e representamos nossa realidade. As pessoas viram que nós somos reais e eu prometo que sempre seremos reais e fiéis à nossa mensagem.


Quais os planos futuros?

Mahmood: Essa pausa dos shows nos deu a chance de nos concentrarmos para escrever nosso primeiro álbum que será lançado em 2021. As principais ideias para as músicas já estão escritas e nós temos algumas composições que irão causar boas surpresas. Há músicas que falam sobre a situação que estamos vivendo agora e sobre coisas que aconteceram este ano, algumas relatam minhas experiências pessoais e os obstáculos que enfrento diariamente em minha vida. O Full será uma continuidade do EP, outro grito furioso contra este mundo cruel.

A Alemanha sempre foi um país muito respeitado quando falamos de Metal. Como se encontra hoje este cenário?  Estão surgindo muitas bandas novas?

Mahmood: No meu caso, a música foi uma das principais razões pelas quais me mudei para a Alemanha. A cena de Metal aqui é uma das melhores do mundo, é o local de nascimento de algumas das maiores bandas Thrash e o espírito de Metal ainda é vivo e forte. Há um monte de novos grupos que estão cheios de paixão e garra para continuar a trilhar o caminho dessas bandas incríveis.

Para fechar nossa conversa, gostaria que vocês deixassem um recado aos fãs da banda e também aos amantes do Metal no Brasil.

Mahmood: O Brasil tem um lugar especial no meu coração. Eu sou um grande fã da cena do Metal brasileiro e posso sentir a raiva na música e ouvir os gritos de frustração e ódio em relação à injustiça e sofrimento. Um dos meus objetivos é tocar ao vivo no Brasil um dia, pois poderemos compartilhar a nossa raiva e ódio para o mundo. No final, eu gostaria de agradecer ao VIOLENT NOISE por nos apoiar e nos ajudar a espalhar nossa mensagem furiosa. De certa forma, acredito que todos nós estejamos com raiva e precisamos encontrar uma forma de expressar isso. Eu gostaria de agradecer a todas as pessoas que apoiam a banda e prometemos trazer a vocês um trabalho cheio de fúria e com músicas fortes. Assim que essa merda toda de doença acabar, todos nós poderemos mostrar nossa fome e paixão pelo Metal.

Veremos vocês em breve. 

Fotos: Arquivo da Banda



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